"(...)Se, ao te conhecer, dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir
(...)Te dei meus olhos pra tomares conta
Agora conta como hei de partir."
Não é necessário ser um grande apreciador da genialidade de Tom Jobim - este ainda associado a Chico Buarque - para sentir-se profundamente tocado com semelhante letra. "Eu te amo" é uma música com fortíssimo apelo sentimental. A letra fala do amor na sua forma mais frágil. Aquela em que a pessoa amada é vista como entorpecente necessário para a continuação da sobrevivência. Mas...se o amor é realmente isso, onde fica o aprendizado e junto com este o amadurecimento pelo fim de um relacionamento?
Obiviamente não se está questionando aqui o valor poético da música(eu não seria tão ridícula a esse ponto), mas partimos para uma discussão mais racional sobre o amor. Colocando-o em uma perspectiva mais real, a total anulação e extrema entrega, parece trazer apenas sofrimento e decepção.
Ah! Seria realmente muito bom que todos os amantes pensassem assim. Mas somos muito passionais para conseguir a façanha de amar sem sofrer.
Ao final de tudo, só nos restam as maravilhosas palavras de Carlos Drummond de Andrade:
"Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
sempre, e até de olhos vidrados, amar?
(...)Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor." - Amar
